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O espírito abnegado da Cannabis

Para entender profundamente a relação planta-pessoa precisa-se observar o homem e a natureza criadora. Não se pode tratar uma pessoa, por exemplo, fazendo uso de uma planta que ela nada conhece; tampouco, nada se conhecendo acerca da personalidade daquela própria pessoa; pois o quê ou o quanto da variedade (strain) da Cannabis a ser usada, dependerá desse conhecimento. Isso é mesmo assustoso, trabalhoso, mas indispensável. As plantas como seres vivos se apresentam da forma mais completa de ser, suas propriedades trazem consigo sua alma. E a Cannabis, em meio a sua abnegação, trará seu perfume inconfundível, seu sabor, compartilha e proporciona diversas de suas cores, o formato de suas folhas com suas nervuras delicadas e serrilhadas a torna sem igual. O que dizer de suas flores? Formada por cachos, variam em tamanho e densidade; resinosas nos presenteiam com fitocanabinoides, como o THC e CBD podendo aliviar dores e prolongar vidas. O seu espírito abnegado também está contido em sua seiva, na água da planta. Tudo isso diz muito sobre seu encanto, seu   movimento e sua personalidade. Seu corpo (da Cannabis) traz consigo as memórias ancestrais, recebendo influências especificas do macrocosmo - influências do universo para sua estrutura desde a sua memória celular até a sua forma física.

As plantas foram as primeiras formas de vida na Terra, e algumas parecem conhecer o homem profundamente – mais que ele a elas. Elas transportam a mente humana a regiões de maravilhas, alterando a consciência, elevando o mundo humano mais profundo, conectando-se com nossos ancestrais, curando nosso corpo-mente-emoções-alma. Talvez, em cada planta sagrada habite um ser.

Algumas plantas de poder são ingeridas em rituais, obedecem a preceitos religiosos e proporcionam equilíbrio, autoconhecimento e expansão da consciência segundo os povos originários, especialmente.

Conhecidas como plantas enteógenas, que deriva do grego ‘Entheos” que significa “deus dentro”, são reconhecidas como plantas de poder, plantas mestre, plantas sagradas, anciã, mãe, rainha -  a Cannabis está entre elas. As consequências desse uso nessa dimensão precisam estar previstas. Porque nada é mero entretenimento quando o assunto é espiritual.

As respostas serão adquiridas através do conhecimento, dos estudos. Contudo precisa-se usar os sentidos que há muito nos induzem a desligar/esquecer. Precisa-se resgatar os conhecimentos que, de tão populares por sua medicina fantástica, atravessaram milênios. Entretanto, a estupidez de alguns a tem proibido. Tornando a terapia com a Cannabis uma das mais polêmicas.

Precisa-se libertar o homem dos preconceitos para libertar a planta, começando por preservar os nossos saudáveis sentidos e caminhando de mãos dadas com a ciência. Faremos isso exatamente assim, observando, ouvindo e não desprezando a intuição - àquela mais primitiva. Assim a fitoterapia avançará, acertando na titulação adequada, no óleo certo, na dose ideal para cada pessoa, porque somos únicos, singulares, independente se as dores do outro parecem as mesmas de outro alguém.

 

Morgana Lima