A Metáfora da Bruxa
A Cannabis se utiliza de vários sentidos para nos mostrar o caminho, o longo caminho da homeostase – a capacidade de um organismo se manter estável e equilibrado como um todo. Mas para se entender melhor sobre esse processo, a “Metáfora da Bruxa” vem em boa hora. Não raro na infância, as crianças aprendem quão má é a bruxa do nariz grande. Por que será que as bruxas foram tão temidas e caçadas por séculos? Conhecedoras das ervas, das “misturas mágicas”, dos aromas, resinas e cheias de intuição, elas pareciam mesmo perigosas. Ainda hoje, expressões tais como “isso não me cheira bem” ou “fulano não é flor que se cheire” revelam o quanto a intuição - aquilo sutil que sabemos “sem perceber” faz parte do cotidiano. Através do cheiro tentamos resgatar os sentidos, aquilo que o coração percebe primeiro, sempre em busca do equilíbrio das emoções e pensamentos; também, através dele, a cura das enfermidades humanas. O perfume da Cannabis é intenso terroso; ele deseja fincar os nossos pés no chão quando tudo parece tão volátil e fugaz. Esse perfume vai entrar em base nas notas baixas da aromaterapia; sua principal nota que tem em mais abundância em todas as variantes da Cannabis - o mirceno, passando por todas as outras notas também, limoneno, linalool, entre outras. Entretanto vai predominar as notas baixas como base, o perfume doce profundo, calmante, intensamente embriagante. A Cannabis entende que qualquer necessidade é sempre urgente e em seu grudento açúcar, nos tricomas, ela vai tentar se achegar embriagando de amor, algumas pessoas chegam a enjoar com seu aroma, de tão estonteante. A aromaterapia é isso, uma forma de oração pela busca da homeostase. É importante ressaltar aqui, que o Sistema Único de Saúde - SUS desde 2018 aceita a aromaterapia como uma das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde, uma brilhante alternativa para tratamento.
O percurso canábico em nosso corpo começa justo aí, no bulbo olfativo, onde encontraremos os primeiros receptores canabinoides cb1 e cb2 dando um abraço no sistema límbico. Ao capturar o cheiro, as células receptoras enviam sinais elétricos para os glomérulos que se localizam no bulbo olfatório, agindo no hipocampo. O cheiro é capaz de despertar emoções em uma pessoa, e a ciência explica isso pela influência das conexões do sistema olfatório com o sistema límbico, responsável pelas emoções, percorrendo uma verdadeira busca pelo equilíbrio. Isso é mágico, isso é a Cannabis.
Morgana Lima